Publicado em 2017-05-19 11:40:53

Sincomercio lança indicador que mede confiança do consumidor

Pesquisa inédita na cidade ouve a população e gera informações que auxiliam a tomada de decisão para investimentos

            O Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomercio) lançou no dia 18 de maio uma nova ferramenta que permite avaliar o comportamento do consumidor diante dos cenários político e econômico. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado mensalmente, identifica qual a intenção de consumo da população e fornece dados que podem ser usados estrategicamente para a tomada de decisões sobre a gestão dos negócios.

            O evento foi conduzido pelo presidente do Sincomercio, Antonio Deliza Neto, e pela economista da entidade, Délis Magalhães, e contou com a presença dos vereadores Elton Negrini (PSDB) e Magal Verri (PMDB), do assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP), Jaime Vasconcellos, e do professor doutor da Unesp Araraquara, Elton Casagrande, responsável pela estruturação do Núcleo de Economia do Sincomercio, em 2006.

            “O comerciante já instalado na cidade, assim como o empresário que quer investir aqui, precisam conhecer a realidade local, as características econômicas e as condições da população. O índice traz a análise do cenário local ao mostrar se o consumidor está retraído ou intencionado ao consumo. Isso permite que o empresário faça uma condução positiva do seu negócio. É uma ferramenta importante tanto para o poder público quanto para a iniciativa privada”, afirma Deliza.

            O assessor econômico da FecomercioSP, Jaime Vasconcellos, destacou que o ICC é muito sensível aos acontecimentos políticos e econômicos e que a tendência de consumo pode ser melhor identificada a partir da análise da série histórica. Por isso a pesquisa mensal é tão importante, já que cria esse banco de dados.

            “O Sincomercio Araraquara é o sindicato mais antigo da FecomercioSP e o único, dentre os cerca de 100 filiados, que possui um Núcleo de Economia. Esse é um dever que o Sincomercio cumpre perante a sociedade, seus filiados, empresários e poder público”, destaca. “É muito importante para a cidade ter essa leitura de onde está o consumo. Se o consumidor está mais intencionado ao gasto, ele está mais aderente às promoções. Por outro lado, se não há confiança no cenário político e econômico, ele não vai abrir crediário, buscar empréstimos e financiamentos”, explica Jayme.

Resultados

A economista Délis Magalhães explica que o índice varia de 0 a 200 pontos, sendo que a partir dos 100 é identificado otimismo entre os consumidores e abaixo dos 100 significa pessimismo. A pesquisa é segmentada por sexo e renda e o cálculo do índice considera duas variantes importantes: as condições econômicas da população no presente e as expectativas que ela tem para o futuro.

Em abril, o ICC ficou em 93,3 pontos, ou seja, abaixo da linha de otimismo. Em maio, o índice caiu para 85,1 pontos, uma redução de 8,7% com relação ao mês anterior. O principal motivo dessa piora foi uma queda no índice de expectativas futuras, que diminuiu 12,3% em relação ao mês anterior, caindo de 115,5 pontos para 101,3.

“O resultado demonstra que o consumidor está inseguro diante das mudanças econômicas e políticas no Brasil. As propostas de reforma na legislação trabalhista e previdenciária representam um dos principais motivos para gerar a queda na confiança”, afirma Délis.

A percepção da população sobre suas condições econômicas atuais manteve-se praticamente estável nas duas medições e foi o que mais influenciou para puxar o ICC para baixo. Em abril, a pontuação foi de 59,9 e em maio 60,9. “A maioria das famílias permanece com a renda comprometida. A dificuldade em conseguir emprego é um dos principais fatores que compromete o avanço do índice, uma vez que interfere diretamente na renda familiar. Uma recuperação da confiança só ocorrerá por meio de uma melhora efetiva no poder de compra do consumidor”, analisa a economista.

               ICC de abril

 

               ICC de maio


               Tabela comparativa abril/maio:


Metodologia

O ICC será apurado mensalmente pelo Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara. Os dados são coletados de 600 consumidores no município de Araraquara. Os questionários são aplicados pela Paulista Jr. Projetos e Consultoria, uma empresa administrada por alunos da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp Araraquara, com o auxílio de docentes e parceiros.

Os resultados são segmentados por nível de renda, gênero e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados dapesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

A metodologia do ICC foi desenvolvida pela FecomercioSP com base no ConsumerConfidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan (EUA). No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no país, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do Índice de Canal de Comodity (CCI) pelo Banco Central dos Estados Unidos.

Fotos do evento:


foto 1 - Antonio Deliza fala sobre a nova ferramenta do Sincomercio ao lado dos vereadores Elton Magrini e Magal Verri


foto 2 - A economista do Sincomercio, Délis Magalhães, apresenta o Índice de Confiança do Consumidor


Fonte: Assessoria de Imprensa Sincomercio Araraquara